‘Nem foi tempo perdido…’

Algumas pessoas tem medo do passado. Outras tem medo do futuro. Já eu tenho medo do presente. Medo do hoje, do agora, do tic tac que escuto do relógio ao meu lado.

Meus dias se resumem entre a nostalgia dos bons momentos e planos para momentos melhores ainda. Chamo isso de sonhar, viver com o all star preto longe do asfalto da grande capital. Lembrar do passado, planejar o futuro. É, sonhar..

Quando a ficha cai, o tempo já passou, o passado esta longe. Tic tac, tic tac. O cuco já cantou faz tempo. E o que eu tinha (se é que tinha..) de palpável ficou pra trás. Sonhei com a saudade, sonhei com o futuro e acordei em uma realidade fora do agora.

Hoje eu poderia dizer que sonho acordado. Mas não, ainda não.. Perco o momento enquanto o professor ensina alguma coisa sobre Direito-Moral para estar aqui, contar minha história. Perco noites para chegar a conclusões. Perco a cabeça na tentativa de encontrar sentido. Perco a mim mesma quando tento me encontrar. Perco o tempo e o Renato Russo errou nessa: “Nós não temos todo o tempo do mundo“.

Só que o sentimento é agora, é aqui e já me levou pra longe do ponteiro. O que perco, eu sonho, eu imagino,
com os olhos abertos mesmo. E por um momento, entre ter dormido duas horas, vestido qualquer coisa e estar fora de casa eu percebi as vantagens de sonhar tanto acordado. O professor continua falando, mas a história começa agora.

Dessa vez não tem lágrimas, nem momentos de grande impacto. Mas teve o medo de impressionar no primeiro evento do semestre chamado Amigos Para Sempre, da ONG Sonhar Acordado, aquela que participo. Teve o cansaço de duas noites preenchidas de festas sem espaço para o sono. Teve a cabeça lotada de uma cidade turbulenta. Teve até um coração frouxo, jurando mais uma vez a descrença pelo amor.

Só que teve também crianças pulando em meus braços implorando carinho. Teve sorrisos, teve abraços, teve cócegas. Teve as meninas pintando de terra os voluntários porque quem tinha tinta na cara fazia parte da família. Teve voluntários cansados, mas abraços agradecidos. Teve brincadeiras, teve cachorro quente. Teve o valor humildade sendo passado para as crianças. E teve eu, entre uma roda de crianças e jovens, parando de viver (passado ou futuro) e apenas observando como a cena de um filme. E do momento que a cabeça quase voava para longe e eu quase perdia mais uma vez, me chamaram pra participar também, pra entrar na dança e ser criança.

E eu fui, sem olhar pro relógio, sem imaginar como foi ou como seria. Dessa vez, eu literalmente sonhei acordado e desejei que fosse sempre assim. Mês que vem tem mais e enquanto isso eu sonho em nunca perder tanto tempo assim.

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o que foi escondido é o que se escondeu;
e o que foi prometido ninguém prometeu
nem foi tempo perdido;
somos tão jovens..

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Um comentário sobre “‘Nem foi tempo perdido…’

  1. A Luci tá sorrindo lá de cima (não sei porque me lembrei dela, mas tenho certeza que ela tá orgulhosa – do português e do sentimento todo). Parabéns Gigante.

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