Res-peito.

Nasci em cidade pequena, daquelas que tudo fica próximo e os lugares mais distantes estão no máximo à dez minutos de você. Mudei pra São Paulo e inevitavelmente descobri que quanto maior a cidade, consequentemente maior são os problemas. Na capital, passei a andar mais a pé e a usar transportes públicos. Poderia começar aqui a minha crítica ao sistema, a má qualidade dos ônibus e metrôs, sem contar o superlotamento, mas começo hoje falando sobre uma coisa que incomoda quase no mesmo grau que o trânsito e a falta de estrutura. Quero falar sobre um dos grandes problema que o sexo femino enfrenta.

Quando você sai do aconchego de sua casa ou do seu próprio carro, involuntariamente você sai também do conforto de ouvir o som ambiente e as suas escolhas musicais, e passa a ouvir as pessoas ao seu redor. Deveria ser uma experiência ótima, se não fosse no mínimo traumatizante. Já conto logo que eu sempre ando com um fone de ouvido, não porque eu gostaria, mas porque passou a ser necessidade. Já vou dizendo também que falam por ai que se você quer se sentir bonita é só andar um pouco pela cidade. Eu já contrario essa frase. Se você quer se sentir um pedaço de carne é só passear por ai.

Não tem como se sentir bonita enquanto você é analisada, re-analisada, secada, medida e quase comida pelos olhos, quando não é comida de verdade. Acontece que muita gente não consegue entender que o fato de uma mulher não conseguir andar na rua sem alguém mexer com ela é um problema. Daqueles problemas grandes. É o começo de um machismo que não tem fim, sem mencionar os (muitos) problemas desencadeados ao simples chamado de um macho gritando ‘gostosa’.

Nem vem defender e dizer que deveriamos ficar felizes, porque com todas as representantes do sexo feminino que já conversei, concordaram. E criticaram. E ignoraram. Faço o mesmo e vou continuar fazendo, simplesmente porque não existe outra solução. Discutir é pior, sem contar a frequencia que o bate boca aconteceria com os homens por ai. A solução rápida é o fone de ouvido.

Eu não to pedindo aumento nos salários femininos, igualdade ou uma sociedade sem preconceitos, estrupros e violência. Na verdade eu tô, mas tô implorando por uma coisa maior. Eu tô pedindo um som ambiente melhor. Eu tô pedindo respeito e não qualquer outro derivado da palavra peito.

Enquanto isso não acontece, eu já separei o fone de ouvido. Ou melhor, já coloquei na playlist a querida Rita Lee cantando “Nem toda brasileira é bunda, meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem..”.

O texto é velho, estava esquecido em alguma pasta antiga no computador. Só que esta rolando nas redes sociais uma pesquisa sobre esse mesmo assunto. Se você não leu, vale a pena. Foi ela que me motivou a publicar e gritar ao mundo o que as mulheres precisam.

http://thinkolga.com/2013/09/09/chega-de-fiu-fiu-resultado-da-pesquisa/

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