dois mil e treze.

          Sempre cultivei aquela mania de fazer a lista-de-desejos para o próximo ano. Assim como a da maioria, metade das minhas listas passadas eu não me lembro e a outra metade não saiu do papel (talvez por ser apenas de tópicos irracionais, irreais..) No final essas listas só acabam mostrando o quão pequenos somos perto desse grande e agitado universo e como não temos nenhuma influência sobre ele. E assim continuamos e fazemos, na tentativa de provar o contrário..

          Acontece que ano passado, depois de trabalhar durante os dias mais lotados de um parque de diversão, não me sobrou tempo para esse costume de lista-mudança-ser-melhor.  Só que assim que tive meu  primeiro tempo livre, lembro que corri pegar caneta e papel, e na tentativa de mudar um pouco, fiz um desenho do que queria para mim. Dormi com aquele pedaço de papel no travesseiro (e prometi que seria assim até que se realizasse), mas foi só a primeira ida a máquina de lavar para esquece-lo em algum canto e virar nada mais do que um papel velho. E lá se foi mais um ano…

          Seria fácil culpar aquele pequeno desenho por esse ano turbulento. Seria mais fácil ainda culpar a cidade de São Paulo, a dúvida sobre as faculdade e até o acidente da minha melhor amiga. Ou melhor, só culpar o 2013 pelo número 13, que pelo que eu sei, não parece ser um número muito da sorte. Foi no meio dessa confusão toda que o ano foi,  que decidi inverter a ordem e simplesmente fazer  uma lista do que aconteceu no ano que passou e não no que irá (ou que você espera que vá) acontecer.

          Alguns meses foram mais fáceis de lembrar. Outros mais doloridos ou até não tão importantes. No geral, foram basicamente preenchidos de incertezas, saudades, desencontros, medo, simplicidade e boas histórias para contar. Teve altos e baixos, mas descobri que me adapto melhor assim, é nessa confusão que me encontro. Foi turbulento, eu já disse, mas quando transformei os fatos em pequenos tópicos, percebi que  fazia tempo que eu não crescia tanto em apenas 365 dias. E que 365 dias, hein?

          Voltei de uma realidade incrível no outro lado do mundo e tive que encarar a minha realidade, que obviamente não é tão mágica. Mudei para uma cidade grande sozinha e tive que dar meu máximo para não deixar quem eu era na minha cidade natal. Descobri que não estava tão satisfeita assim com minha vida estudantil, corri atrás de outra opção, estudei, passei e percebi que essa minha opção não era tão boa assim. E pior, tive que encontrar a coragem suficiente para desistir disso, sem olhar para trás, sem apegos, sem esperanças, sem o que fossem pensar de mim. Vi uma das pessoas que mais me importo no mundo em uma cama de hospital, sem andar, mexer os braços e pernas e não tinha nada que eu possa fazer. Superei junto com ela, enquanto hoje mesmo vi o tanto  que ela cresceu, melhorou e evoluiu. No geral, eu vivi, mas percebi que a vida era um pouquinho mais difícil do que eu imaginava.

          Enquanto transformava a minha lista de 2013 nesse texto, percebi que sentiria falta dele. Chega a ser engraçado, mas meu pai mesmo disse esses dias que eu tenho capacidade de sentir saudade até do que não foi tão bom. Me sinto aliviada que esse ano finalmente chegou ao fim, mas dá um aperto no coração só de pensar que ele acaba e não dá mais tempo de transformar ele em um ano melhor. Acho que é por isso que fazemos as listas, só para deixar registrado o que queríamos ter feito e não fizemos. Como não dá tempo, a solução é pegar o papel e a caneta, na esperança que dessa vez o universo seja um pouco mais generoso e nos ajude a tirar esses tópicos do papel. Eu cresci bastante esse ano, ou pelo menos espero, mas isso não significa que deixarei para trás (junto com 2013) a minha mania idiota de fazer listinhas. Quem sabe ano que vem..

 

Adeus 2013!

E um feliz 2014, recheado de sonhos reais, fé inabalável, amo inacabável, revolução vencendora e fé constante!

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2 comentários sobre “dois mil e treze.

  1. Como disse a um amigo meu, a vida é como a matemática: o 2014 existe graças ao 2013…
    Nossa vida aperfeiçoa com o passado (bom ou mau)…

    Lindo texto… adorei a parte “Ou melhor, só culpar o 2013 pelo número 13″…
    Sempre que leio suas frases (que me arrepiam) dá vontade de escrever! haha

    Beijão! Gu

  2. Gi, meu ano também foi assim. No final, o alívio de ter acabado e a tristeza de não poder ter transformado em um ano melhor. E sempre, sempre, sempre a esperança de 2014 ser melhor (porque pior é difícil). haha.

    Lembro de você como a menina sonhadora que queria mudar o mundo, e nunca te vi como uma pessoa “utópica”, mas sempre tive a certeza de que, a sua própria maneira, você ia conseguir chegar muito longe.

    Acompanho você pelo facebook, pelas fotos, pelo blog, e nunca deixo de sentir um carinho enorme, pensando em como você é forte e como desejo que seu fogo nunca se apague. Não se acomode. Mude quantas vezes tiver que mudar.

    Desejo um 2014 cheio de coisas boas.

    beijinhos,
    teacher

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