Ninguém entende.

Ouço gritos do lado de fora e me vejo na janela procurando da onde vem o som, quem é que se machuca. Fico ali, de trás das pequenas grades, na esperança de entender o que aquele homem esta sentindo. Ele esta bravo, machucado, ferido. Ele grita, o mundo precisa ouvir. Eu não entendo.

Não entendo porque ninguém nunca entende. Lembrei-me do documentário do Eduardo Coutinho chamado Edificio Master. Não assiti inteiro, mas uma parte tira a minha atenção. Conta a história de uma menina nova na cidade, que se distrai da capital ouvindo a conversa dos outros. E como não conhece ninguém, imagina cada voz, a situação e de onde vem cada personagem. Ela bola suas próprias histórias. Ela escuta, mas não conhece. Ela ouve, mas não entende.

Não, não sou espiã. E não sou igual aquela menina. Aquela voz só me chama porque precisa de ajuda. Eu não consigo, estou presa no meu próprio mundo. Aquele mundo não me pertece, ele cai, mas deve levantar sozinho. Ele grita, mas sei que vai ficar bem. O mundo é grande, os problemas pequenos. Todo mundo se machuca e  tem cicatriz. Ele só precisava olhar para cima e descobrir isso. Não sei porque grita, mas não é a primeira vez que eu o escuto assim. Eu já acompanhei a sua dor de longe. Ele se machuca facilmente. Me vejo nele, mas ele não se vê em mim. Ele não entende. 

 

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