Fofoca do dia: Cada um tem sua vida, cada um sabe o que faz.

É, eu também não gosto de fofocas. Cada um tem sua vida, cada um sabe o que faz. Só que já que entramos nesse assunto, você viu o que a fulana fez? Vixi, essa dai não tem escrúpulo, não, nunca vi.

Dizer que não gosta é fácil. Eu também não gosto, ninguém gosta. Isso, até aparecer alguém querendo contar alguma novidade quentinha (babado, amiga) sobre uma pessoa que a gente conheça, ou melhor ainda, alguém no qual nós não gostamos. “Ó, é por isso que eu nunca fui com a cara da ciclana, olha o que ela é capaz de fazer.”

Comigo é a mesma coisa. Eu já disse, eu não gosto, só que nunca pedi para alguém parar quando a pessoa está pronta para dar aquela-exclusiva-e-chocante-notícia. É até legal saber os defeitos-problemas-burrices dos outros. Não que seja bom, eu nunca disse isso, só que nos faz mais humanos, faz ver que as coisas não são tão bonitas igual parecem. “Fiquei em choque, como assim ela fez isso? Isso foi além, hein, até pra ela.”

É, isso até ser você a fofoca. Agora o assunto da roda é a sua vida. Aqueles poucos e malditos segundos em que todos os comentários e opiniões estarão voltados para você (sem que você ao menos saiba disso). É, suas ações estarão em pauta, sendo aquela que criticam, que comentam, que julgam. Aquele boato que vai sair dali para virar assunto de uma outra roda de umas outras pessoas. Os sussurros, os olhares, as risadas. “Eu tenho uma super fofoca, você não vai acreditar o que ela fez..”

É esse o pior lado da história. Aquele comentário é só um ponto de vista distorcido, de boca e boca, que não corresponde com a verdade. Ninguém nunca sabe qual é a “verdadeira” realidade. A gente aumenta, ninguém percebe, e nem dá pra se defender. “Se não queria que ninguém ficasse sabendo é só não fazer né?” Como se não tivéssemos nenhuma parcela de culpa. Como se fossemos apenas transmissores da mensagem e é o nosso papel divulgar para todo mundo saber. E a gente vai vivendo, vai acordando, comendo, trabalhando, fofocando.

Eu não julgo, não culpo ninguém, eu também já comentei das vidas alheias. Talvez seja natural do ser humano, essa curiosidade de saber o que está acontecendo, saber além do que os nossos olhem veem. Eu sou curiosa, então, entendo. Só que isso não pode ser maior que o respeito, que a compaixão. Precisamos parar, refletir e entender que estamos falando de seres humanos (exatamente como a gente). Com sentimentos, medos, fraquezas, sonhos. Que falar sobre eles, é fácil, todo mundo fala, sendo verdade ou não. Só que difícil é se colocar no lugar, entender que poderia ser eu, você ou nós (e eu não sei você, mas eu não quero isso).

Pois é, já deu. Eu cansei, e você? Pelo menos dessa vez eu quero que a conversa acabe nisso. Porque você sabe como é, cada um tem sua vida, cada um sabe o que faz.

(Jules Romans uma vez disse: “Pessoas espertas falam sobre ideias. Pessoas comuns falam sobre coisas. Pessoas mediocres falam sobre pessoas”. É, talvez ele esteja certo.)

large-1

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s