“Como Deus é bom.”

Faltava 5 minutos para o ônibus sair. O atendente me disse que não dava tempo e ele havia dito a mesma coisa para a mulher que se encontrava na minha frente, também com destino para Jundiaí. Era isso ou esperar 30 minutos sem fazer nada. Eu insisti, disse que daria tempo sim e que eu correria até a plataforma (foi exatamente isso que a mulher da minha frente havia dito). Ele me olhou com uma cara de dúvida, mas ainda assim realizou a compra da minha passagem.

Todas as poltronas da janela estavam ocupadas, então ele escolheu a 10, a do corredor, sem nem me perguntar qual eu queria. Eu, assim como a maioria das pessoas, preferiria me sentar na janela, como sempre, com a luz do sol no rosto, a paisagem em volta e a possibilidade de encostar em algo além da poltrona. Porém, sem tempo e sem muita escolha, conseguir uma passagem e chegar a tempo  na plataforma já era suficiente. Talvez aquele era meu momento de sorte.

Como planejado, corri até a plataforma desajeitadamente, com uma mochila pesada nas costas e uma bolsa na mão. A passageira que se encontrava na minha frente na cabine, também estava a minha frente para entrar no ônibus. Esperei, entreguei a minha passagem e segui em frente. Por ter dado tempo e o ônibus ainda ter me esperando, eu afirmei para mim mesma “É meu momento de sorte.”

As poltronas número 9 e 10 estavam vazias, mas ainda assim preferi me manter no corredor, sem ocupar a poltrona da janela, caso o meu vizinho de assento ainda estivesse atrasado. Porém eu fui a última a entrar no ônibus, então eu realmente poderia sentar aonde eu quisesse e ocupar todo o espaço, ou seja, aquela era a prova que aquele só podia ser meu momento de sorte.

Assim eu fui até o próximo ponto que o ônibus pararia. Ouvi algumas mulheres conversando e comprando passagem com o motorista, até que uma senhora, daquelas com o sorriso encantador, encarou o meu assento livre, enquanto eu retirava as minhas malas para ceder o espaçou. Ela pediu licença e se sentou no assento vizinho. Foi aí que eu percebi que não era questão de sorte.

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Outras duas mulheres passaram e, olhando para a senhora sentada, disse “Você já encontrou seu lugar, tia, que bom. E que bom que deu certo né” e seguiu à procura de algum outro assento livre. A senhora, que se encontrava do meu lado, respondeu, olhando para elas e depois olhando para mim “Sim, deu certo. Como Deus é bom”. As mulheres um pouco mais ao fundo responderam “Como Deus é bom.”

Elas devem ter passado por uma aventura quase que similar a minha, se não mais complicada. Não dá para saber, na verdade, porque a senhora já descansava e pegava no sono ao meu lado e, enquanto isso, eu escrevia envergonhada.

Porque enquanto eu pensei que talvez fosse sorte, elas sabiam que era Deus e afirmavam isso alto e sem dúvidas. Enquanto eu esqueci de agradecer, mas mentalmente auto-rotulava as coincidências e acasos do meu dia, elas já sabiam quem era o “culpado” por tudo isso ter dado certo. Talvez eu não tenha aprendido quando eu consegui comprar a passagem, quando o ônibus ainda estava lá me esperando ou quando o assento que eu queria estava livre. Porém foi abrindo mão de um espaço, que na verdade nem era meu, e com uma frase solta de uma senhorinha, daquelas bem simples, que eu aprendi: Como Deus é bom.

Agradecer também faz parte da oração. Então esse é o meu “obrigado” por tudo ser tão bom.

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