Esse não é um texto sobre política.

Esse não é um texto sobre política.

Eu queria já deixar bem claro aqui, logo no início, que eu não sou nenhuma super conhecedora de política, infelizmente. Gosto de ler notícias sobre, pesquisar sobre, mas não gosto muito de discutir o assunto, principalmente nas redes sociais. Ou seja, eu não  acredito ter habilidades suficientes para escrever politicamente sobre quem está certo, quem está errado e qual a melhor alternativa para o Brasil nesta crise política e econômica que estamos vivendo. Dessa forma, é melhor focar em outro tópico e não falarmos apenas sobre política, certo?

Vamos falar sobre gentileza. Sobre julgamentos e críticas. E sobre o que nos define como seres humanos.

Por alguma razão, não importa qual seja ela, você tem uma visão sobre o que você acredita ser melhor caminho para o país, o que talvez inclua ou não o impeachment da atual presidente Dilma (queria deixar bem claro aqui que eu prefiro escrever o termo assim, mas que isso não afeta ou demonstra a minha posição política, ok?). Então, você tem uma opinião, uma ideia que gostaria de defender, o que é bom. De alguma forma, temos que lutar pelas coisas que acreditamos, certo?

Só que infelizmente (ou felizmente) eu não acho que isso faz de você uma pessoa melhor. Talvez eu esteja errada, frequentemente eu estou errada, mas é que ultimamente eu me deparo com textões e mais textões e links e palavras de ironia, que me fazem pensar: OK, se você estiver certo, realmente certo, de que adianta estar certo, ser tão inteligente e sábio assim, mas ainda desrespeitar quem estava errado? Por favor, me falem, de que adianta essa raiva e essa tristeza e essa decepção, de todos os lados, se ainda assim ainda estamos jogando mais raiva, mais tristeza e mais decepção uns nos outros? De que adianta acreditar e lutar com a justificativa de que “assim é melhor, é o jeito que as coisas deveriam ser”, pensando em nós mesmos e nos “outros”, se nos esquecemos que o outro também é aquele que nós desrespeitamos, criticamos e xingamos? Aquele que nós taxamos de coxinha ou de petralha e o resumimos nisso, somente nisso, sem esquecer de que antes dele ser essa denominação, ele também é um ser humano?

O que eu quero dizer é: Ser contra ou a favor do impeachment não te faz uma pessoa melhor ou pior. O que você faz a partir disso, como você lida com essa opinião, com a opinião dos outros e como você reage as opiniões contrárias é que te define. Sim, como você vive a sua vida, seu dia a dia, principalmente offline, é que faz você ser quem você é. Uma pessoa melhor ou pior. Uma pessoa que realmente faz a diferença ou uma pessoa que só fala.

Porque falar é muito fácil, eu também estou falando por aqui. Só que ofender os outros é ainda mais fácil, não? Culpar a Dilma, o Cunha, o Temer, os deputados, ou sei lá mais quem. Eles estão em cargos de poder, eles deveriam fazer a diferença, eu sei disso. É a obrigação deles, mas também é a nossa. Talvez a gente não consiga reverter essa crise sozinhos, talvez não tenhamos vozes suficientes para fazer algo grande e bonito. Só que usar palavras de ódio, para qualquer um deles, também não te faz uma pessoa admirável por pior (ou melhor) que eles sejam. Isso também não muda o país.

Compartilhar, publicar, repostar alguma coisa ruim sobre os outros realmente não te torna uma pessoa melhor. Talvez seja um passo pra mudança, eu sei, para a conscientização própria e do outro. É importante estar em pauta, trazer a tona esse assunto. Só que vejo muito dedo apontado e nada mais que isso. Apontando o dedo para os políticos, mas também para os amigos e familiares. Assim como eu acredito que ninguém é inocente nessa história, nós também não somos. As proporções talvez sejam menores, bem menores, mas ainda assim somos culpados. Culpados por julgar o outro. Culpado por desrespeitar o outro, não importa quem seja esse outro. Culpados por nos achar melhores por qualquer coisinha que seja. Culpados simplesmente por nos acharmos capazes de sermos juízes  de toda essa confusão.

Eu escrevi tudo isso apenas para dizer: Hoje se preocupe apenas em dormir com a sua consciência tranquila, sem precisar dizer que a consciência dos outros está pesada. Acorde amanhã e faça o seu melhor. Seja a melhor versão de você mesmo. Discuta sobre política, dê a sua opinião, mas não esqueça que o outro, por diferentes razões, também tem uma opinião. Que essa pessoa que você discorda e xinga, por pior que seja, ela ainda é um ser humano e tem o direito de ter diferentes opiniões. Não aponte o dedo antes de olhar pra você mesmo. Não pegue carona nessa onda, seja de direita ou esquerda, sem nem antes saber para onde estão indo. E cuidado para não defender ideias com todas as suas forças sem analisar que aquilo talvez também esteja errado. O outro lado pode estar errado, ele é mais fácil de perceber, mas o seu também.

Como eu disse, talvez eu esteja errada, eu sei disso, mas talvez você também.
(Já parou pra pensar nisso?!)

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