Gratidão, Ale.

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Eu desviei de muitos olhares por nunca ter me encontrado no reflexo de volta. Eu procurei por ninguém e todo mundo e ainda assim não conhecia quem eles eram ou o que poderiam ser. Ansiava por coisas que não sabia nem o nome. Queria borboletas no estômago, sem nem imaginar o quão violentas e perigosas elas poderiam ser. No fundo, bem no fundo, acreditava que tinha algo – algum amor – esperando por mim, mas não sabia como buscar.

Ainda assim, 1 ano atrás, eu encontrei quando nem preparada eu estava. Avistei o que eu não sabia que procurava e sem nem ter algum tipo de planta ou relação ou mapa. Chame isso de sorte, acaso, destino, coincidência ou a nomenclatura que quiser dar. Eu não ligo! Não me importo nem com o quão clichê e ingênua posso parecer. Na verdade, pouca coisa ainda e realmente importa depois que eu descobri tudo o que eu descobri. O mundo perdeu a graça e o mais doido é que eu conheci um outro tipo de mundo e um outro tipo de graça. E por mais piegas e bobo isso possa parecer, eu experimentei todo um universo e galáxias e céu e infinito através de um sorriso. Tem noção? Tudo isso por causa de um simples sorriso.

Te juro, ele é a cena mais bonita que já presenciei. Por um segundo, um breve segundo, quando eu o observo, o meu corpo e alma simplesmente se sintonizam. Por ele, eu me transbordo e recomponho e perco os sentidos e fico sem saber o caminho de volta pra casa. Só que foi nele também que descobri o que é casa. Foi o lugar que eu chamei de lar e fiz minha morada. Ele me fez experimentar sentimentos que até então achava exagero e alucinação qualquer de escritor ou poeta. E por ele eu até brinco de ser escritora ou poeta, só pra ver se ele finalmente entende tudo o que eu sinto. Então eu me pego escrevendo esses textos cheios de metáforas e coisas bregas e sensível demais porque é tanto sentimento que salta pra fora do peito.

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Depois dele e com ele, eu já não carrego mais o receio de falar em voz alta o que eu sou e o imenso que eu sinto. Ele me aceita – e ensinou a me aceitar – do jeitinho mais torto e engraçado e sincero que posso ser. Me fez ter orgulho das cicatrizes e marcas que carrego e que de alguma forma – louca – me trouxeram até aqui. E eu gosto muito do aqui. E eu gosto e amo ainda mais e muito e absurdo e infinito ele e de todas os significados e composições que ele trouxe pra mim. Ele se faz em vida e cor e amor todos os dias.

Foi nele que me encontrei no reflexo do brilho dos olhos e pude ser inteira e ainda assim ser dele. Com ele que aprendi que as borboletas da gente são turbulentas e intensas, mas que ainda assim elas nunca mentem. E foi com ele que eu descobri que tinha sim um amor de uma vida toda esperando justamente por mim, sentado na sarjeta  enquanto observava as mais belas estrelas.

(E o nosso ‘está-tudo-bem-?’ de um ano atrás se transformou em ‘ontem-hoje-e-até-a-eternidade-!’. Gratidão, Ale. E muito muito muito amor pra gente.)

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Hoje é dia dos pais

Hoje é dia dos pais.

Eu poderia gastar as minhas melhores palavras para dizer coisas maravilhosas sobre o meu querido pai, porquê ele as merece. Eu poderia escrever o quanto ele é incrível, generoso, com um coração que transborda e o quanto (imensamente) eu o amo. Eu sei, eu poderia, mas se tem uma coisa que eu aprendi sobre o meu pai é:

Ele é assim, especial do jeito que é, porque ele busca ser cada vez mais parecido com o meu Pai lá do céu.

Então, dessa vez, eu peço desculpas para meu pai (sabendo que com a mais absoluta certeza ele compreenderá), mas nesse dia eu falarei sobre o meu querido Deus, que eu carinhosamente também chamo de Pai (até porque, na verdade, Ele também é Pai dele).

O amor dEle é o mais bonito, o mais puro, o mais sincero que eu já experimentei. Ele me ama do jeitinho torto que sou e me aceita mesmo diante das minhas falhas e dúvidas e imperfeições. Ele me quer mesmo quando eu não me quero ou O quero. Ele não discute comigo mesmo quando eu estou errada e não me impede de ir embora mesmo querendo que eu fique. E quando eu volto, me aceita e me acolhe como se eu nunca tivesse partido. O amor dEle é livre e é isso que faz Ele ser Amor.

Ele me encontra quando eu estou perdida e me abraça quando eu estou em lágrimas. Ele me dá respostas e sinais e conselhos quando a vida fica mais turbulenta que o normal. Ele me guia mesmo quando eu estou cega e acredita em mim mesmo quando me falta esperança. Ele conhece o mais profundo e intenso e bonito e escuro do meu ser e me aceita assim, como Giovanna que sou. E quando Ele é exigente, rígido, é porquê quer apenas que eu seja a melhor pessoa que eu posso e consigo ser (até porque foi para isso que Ele me criou).

Eu sou só mais uma diante dos bilhões e bilhões de filhos e filhas dEle, mas ainda assim Ele faz eu me sentir única, como se no mundo fosse apenas eu-e-Ele, Ele-e-eu. Ele sempre têm tempo, têm carinho, têm atenção pra me dar. E o melhor: Ele me mima de uma maneira inexplicável e incompreensível, como só Ele consegue fazer (mesmo eu constantemente não merecendo).

Assim, mesmo já tendo esse Pai incrível lá no céu, Ele me deu também um pai incrível aqui na Terra. Eu sei que nem sempre as pessoas têm essa mesma sorte que eu, de poder conhecer e ter contato e abraçar os pais nesse dia, já que muitos deles Deus já chamou para ir morar com Ele lá no céu. Confesso que isso é difícil de compreender até porquê os planos e destinos, às vezes, são incompreensíveis.

Assim, na minha inocência, eu acho que para ninguém no mundo se sentir sozinho, Ele se fez e se faz presente como o Pai de todos (mesmo muitos negando e ignorando se esquecendo disso). E o melhor é que Ele continua nos amando na mesma intensidade e eternidade mesmo quando não recebe o nosso amor de volta. E esse é o bonito da vida, o mais lindo desse amor, quando a gente entende que:

Todos nós temos o melhor Pai do mundo.

Então obrigada pai-da-Terra (mais conhecido como Romulo ou ‘daddy’) por ter me apresentado o amor do nosso Pai-do-céu. É por esse e tantos outros motivos que eu te amo muito.

Obrigada Pai-do-céu, por ter me dado o melhor pai-da-Terra que eu poderia ter. É por esse e tantos outros motivos que eu te amo muito (mas que eu sei que nunca irá chegar perto do Seu amor por mim).

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Feliz-dia-dos-pais!

Eu acredito em anjos.

Eu acredito em anjos.

Não que eles precisassem da minha humilde crença e posição para existir. E não é também que eu já os tenha visto antes e estaria aqui para contar toda a experiência. Só que ainda assim eu sei que eles existem.

Imagino que eles devem ser um pouquinho diferentes do nosso querido Anjinho da Turma da Mônica ou de todas as pinturas, quadros e obras maravilhosas espalhados pelas igrejas por aí. Me pergunto se quem desenhou algum dia teve a alegria e o espanto de os ver para me contar como eles são.

Quem sabe um dia, por generosidade ou misericórdia, eu consiga lá do céu bater um papo com um deles. Ou até, em um desses milagres diários, presenciar o poder e o amor deles aqui nesse mundo. Eu não sei se é possível, mas ainda assim eu acredito.

Só que foi em uma dessas reflexões sobre anjos e céu e vida e morte, que eu entendi que por não conseguirmos ver tão facilmente assim os milhões de anjos que nos rodeiam, Deus nos dava algumas pessoas que agem, vivem, protegem e fazem o papel de anjos-humanos aqui na Terra. Não é como se essas pessoas especiais tivessem asas ou até poderes sobrenaturais e não-humanos, mas ainda assim elas tem de habilidade uma ligação direta-indireta com o bom Deus lá no céu (mesmo muito delas não sabendo disso).

Uma dessas pessoas que eu tenho o prazer e alegria de conviver é a minha querida avó Cândida. Eu sei que eu disse que essas pessoas não tem poderes sobrenaturais, mas eu te juro que se você olhar bem no fundo dos olhos azuis dela, você quase consegue enxergar o céu. Ela é uma das pessoas mais bonitas que eu conheço, melhor do que todas as modelos por ai, e ela já tem 92 anos. Só que ainda assim é uma beleza quase que insignificante perto do encanto de sua alma.

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Eu nunca a vi reclamar de nada, te juro. Eu nunca cheguei na casa dela e ela não me disse que eu estava bonita (mesmo não estando). Ela demora uns segundos para saber quem eu sou, mas ainda assim ela solta o sorriso mais leve e gostoso e sincero quando eu chego. Eu não sei exatamente o que ela lembra e se lembra, mas ela usa diariamente um cobertor do Mickey, que já está velho e surrado, porque fui eu que dei. E ela me olha com um brilho nos olhos como se eu fosse a melhor pessoa desse mundo, mesmo estando longe disso (só que felizmente perto dela).

Não são muitas pessoas que têm a honra de viver até os 90 anos, eu sei bem disso. Só que sei também que esse número diminui quando falamos não apenas de ser humanos que viveram quase um século, mas sim de pessoas que tocaram almas e amaram intensamente e profundamente durante toda a sua finita existência. Ela ama de uma maneira quase que inexplicável, como se o amor simplesmente não desbotasse, não quebrasse ou acabasse com o tempo. Ela apenas ama e ama de novo e continua vivendo e amando, vivendo e amando.

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Esses dias, em uma das nossas conversas bobas e descontraídas, ela disse que a vida é curta. Curta, Vó? Mas a senhora tem 92 anos! E ela caiu na gargalhada e continuo dizendo que a vida era curta sim. Disse também que era muito nova para ir para um asilo e continuou rindo e rindo como se a vida fosse infinita. Depois disse eu percebi que não vai ser cadeira de roda, cansaço, ossos fracos ou péssima memória que a impediriam de ser assim, do jeitinho que é, com a expressão rabugenta-e-alegre-de-vovó-alemã.

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Eu sei que os nossos dias aqui no mundo estão contados. O meu, o seu, o da vó Candida. O maior medo que tenho, confesso, é as despedidas acontecerem e eu não ter dito sobre os mais sinceros e bonitos sentimentos  –  ainda mais sobre ela. Só que, ao mesmo tempo, por mais que as partidas sejam inevitáveis, as minhas palavras não são suficiente para explicar e expressar o tanto que ela significa.

Ela é muito mais que minhas poucas habilidades artísticas de aspirante à escritora são capazes de dizer. Ela é tanto que nem cabe aqui (e eu quase desisto de compartilhar esse texto porque ele é exatamente nada perto do quanto ela é tudo). Só que ela é tão abundante, tão magnífica, tão incrível, que me fez questionar e duvidar se ela não tem poderes sobrenaturais, especiais ou alguma coisa do tipo. E, assim, só me resta afirmar:

Eu acredito em anjos (até porque eu conheci um).

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1:22 e você

Você não pode ser real. Me belisco mais uma vez e outra vez só para ter certeza que não estou sonhando ou vivendo no meu lindo-mundo-da-imaginação. Coleciono beliscões e puxões no braço e ainda assim não acredito. Só que já prometi para mim mesma parar de questionar essa loucura que você tem, com medo que eu realmente acorde, tudo desapareça e eu não consiga mais seguir minha vida longe de você. Então eu aceito o seu amor, meu amor, mesmo não merecendo.

São poucos meses e eu já sei que eu preciso passar toda a eternidade com você. Sejam minutos, horas ou até dias ao seu lado e ainda assim não são suficientes. E cada vez mais que eu te conheço, mais eu me apaixono. Como é possível? Então digo sussurando eu te amo mesmo sabendo que ainda é pouco perto de tudo o que eu sinto. Do quanto eu te sinto. Eu posso tentar te escrever as mais belas palavras e ainda assim não chegarei perto de descrever o universo que você significa.

Eu não sei qual é o seu segredo, mas é como se tivesse lido durante os seus 26 anos o meu manual de instruções. Eu, que estou sempre repleta de camas e cobertores e travesseiros, nunca encontrei tanto conforto como quando estou em seus braços. Eu já tenho meu lugar favorito e só posso dizer que ele não é um lugar. É como se suas mãos tivessem sido desenhadas perfeitamente para encostar na minha pele e a sua boca feita para encaixar com a minha. Seu sorriso eu nunca vi nada parecido e olha que eu sou colecionada de coisas bonitas há um bom tempo. Seus olhos brilham de uma maneira que me faz usar aquele clichê idiota que, por mais espetaculares sejam as estrelas, elas simplesmente não são e nem brilham como você. E nesse mundo meio doido com sei-lá-quantos-bilhões-porque-já-perdi-a-conta eu me encontrei justamente com você.

Já perguntei pro meu bom Deus porque Ele havia me dado um presente tão grande, mas ainda não obtive resposta. Então esses dias conclui que apenas te ganhei porque eu, curiosa do jeito que sou, desejava muito quase que tocar o céu aqui na Terra e até presenciar o amor de Deus em forma humana. Para tudo isso, já que Ele me mima muito, o meu melhor amigo me mandou você. Eu já disse, eu ainda não acredito, mas ainda assim quero que seja tudo exatamente assim. Sempre.

Eu sei que prometi, mas só dessa última vez, eu ainda vou me beslicar antes de deitar. Só pra confirmar, você sabe. Até porque meu sono perdeu a graça desde que você apareceu e tornou meus sonhos reais. Você trouxe inspiração pra esses meus textos-declarações, sendo que eu já havia parado de escrever faz tempo. É tanto sentimento transbordando que eu me esvazio nessas linhas em uma esperança boba de te fazer se sentir amado. Eu posso tentar te dar o mundo, seja em forma de beijo, abraço ou palavras e não chegaria perto do infinito tudo que você já me deu.

São 01:22 e eu não tenho sono. Até ele entendeu que quem domina a minha mente é você. Só você.

(E-feliz-dia-dos-namorados-!)

(Minha) heroína do livro da vida.

Eu tive a melhor professora de literatura, gramática e redação que eu poderia ter, mas infelizmente na época eu não sabia disso. Ela era um poço de sabedoria, ensinamentos e muita muita muita garra. Lições sobre a língua, lições sobre a vida. Nunca contei isso, mas grande parte do meu amor pelas palavras começou dela (e talvez por ela). A forma que as palavras a tocavam e ela nos tocava mudou os meus rumos. Não fiz todos os deveres que ela pediu, mas ainda carrego as lições e correções para onde quer que eu vá (mesmo constantemente vacilando na ortografia).

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A vida foi dura com ela. De primeira, você acha que isso a endureceu, pela rigidez, a educação, a obrigação. Só que mesmo fingindo bem, a vida nunca endureceu seu coração. Ela disfarçava (e ô se disfarçava), mas era só chegar com o próprio coração na mão que ela logo entregava o dela. Ela só queria que fossemos melhor. Ela via potenciais, previa futuros aonde tudo parecia perdido. Ela me viu melhor do que um dia eu conseguiria enxergar.

Eu sempre achei que ela deveria escrever um livro. Até cheguei a falar isso pra ela, mas ela logo me respondeu que era perfeccionista demais. O livro nunca estaria bom o suficiente e que nunca acabaria. Eu, parafraseando um filme que gosto muito, me arrisco a chamar isso de covardia. Talvez seja por isso que também me faltava a coragem para falar sobre ela. Nunca, e assumo isso tranquilamente, alguma palavra minha seria (ou é) o suficiente para expressar o que essa mulher significa. Só que deixo aqui a minha fraca tentativa de expressar o quanto ela ainda esta viva, mesmo depois de tanto tempo.

Constantemente me recordo dos bons momentos ao lado dela. Poucos, na verdade, incluem a sala de aula. O aprendizado com ela foi na vida, no dia a dia. Era simples como alunos se tornavam amigos pessoais, que ela chamava para um chá da tarde, levava gelatina de pinga durante a aula e convidava para conhecer o médico famoso dela. E ela guardava esses amigos, levava no coração, porque sabia muito bem o peso e o valor de bons companheiros nos momentos difíceis (e olha que teve muitos).

Falando em momentos, me lembro muito bem, que nos últimos períodos da sua vida, uma amiga preocupada disse que sofreríamos muito quando ela fosse embora, que seus dias já estavam acabando e que talvez fosse melhor se afastar para não sofrer ainda mais. Mal sabia ela, essa minha amiga, que sofrimento, na verdade, era não aproveitar o pouco tempo que ainda tínhamos. Uma tarde, apenas uma tarde, ao lado dela foi mais do que o suficiente para tocar e mudar vidas.

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Isso não diminuiu o sofrimento depois da sua partida. É claro que sofri, mas nós sofremos juntas. Sofremos escolhendo uma roupa mesmo ela não enxergando bem qual seria. Sofremos quando ela nos tocou a música que queria em seu velório sem nem saber quando seria. Sofremos no abraço, na despedida. A última aula. A última tarde. O último livro. O último adeus.

Luci,

Você se foi, eu sei, mas é só deslizar o dedo pelas letras e palavras, que eu te encontro viva. É só passar em frente o “Rei da Pamonha”, que eu sorrio, com aqueles sorrisos sinceros, porque eu sei que você está ali. É só pensar que a vida é curta, mas você a tornou longa, preciosa, extraordinária. Você simplesmente me mostrou que vale a pena viver. Nenhum sofrimento é maior que o dom da vida. Nenhuma dificuldade é superior a vontade de viver intensamente.

E você viveu.
Viveu extraordinariamente.
(E foi mais heroína do que todos os personagens dos livros que eu e você lemos).

Obrigada.
Saudade.

(Faz exatamente 4 anos que a vi pela última vez.
Faz exatamente 4 anos que essas fotos foram tiradas.)

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“Como é bom sentir o (Seu) amor…”

Nesse final de semana eu percebi que o amor se apresenta nos mais diversos meios, cores e formatos. Mesmo sem pedir, ele simplesmente vêm, aparece, e nos mostra que as coisas sem ele não fazem sentido. E que o verbo amar, na verdade, só pode ser conjugado para o próximo.

O (mais belo) amor pode vir em forma de palavras (e que palavras!).

Uma palavra de consolo, um desabafo ou uma formação. Um grito de guerra, uma-música-linda-mas-que-não-sai-da-cabeça ou uma oração. Um muito-obrigado, me-perdoe ou eu-te-amo. Pode vir até em forma da ausência delas, o silêncio, quando nada é capaz de expressar aquele sentimento. Um conselho, uma confissão, uma partilha. Uma mensagem, um sussurro, uma escritura. Tudo através das mais simples palavras que, mesmo sem querer, transformam vidas, histórias, caminhos.

O amor pode vir também em forma de gestos (e que gestos!).

Um abraço, uma mão estendida, uma martelada. Um desenho recebido, o cuidado de uma mãe, o receber e fazer se sentir em casa. Uma refeição preparada, o dividir uma cruz, o encontro de dedos que se encaixam. Uma comunhão, um carinho cafuné, uma risada compartilhada. Um ombro pra chorar, uma piada pra fazer rir, uma oração para transformar. Um lenço oferecido, uma construção que deu trabalho, uma lembrança-que-eu-prometo-pra-sempre-recordar. Uma pintura, um sorvete oferecido, uma música cantada, um colchão emprestado. Um sonho realizado, uma obra construída, uma vida tocada. Apenas três simples ações: Superar, missionar, transformar.

E por último, pode vir também em forma de emoções e sentimentos.

Gratidão, felicidade, missão-cumprida. Humildade, empatia, misericórdia. E mesmo a confusão se torna clara, o medo se torna coragem e os erros se tornam aprendizados. Emoções que escorrem pelos olhos já que no coração não tem mais lugar. As mãos tremem, os pelos arrepiam, a visão fica clara. Corpo e alma se encontram e tudo fica na mais bela paz. E você, mesmo sem ver, tem certeza que é Deus que está ali, te tocando. E você percebe que o amor também pode ser invisível.

Todos nós sabemos disso: o amor é lindo! Só que ele não pode ficar guardado. Ele não pode se resumir em uma foto bonita ou um post compartilhado. Ele é real quando transborda. Quando simplesmente aceita, perdoa e confia. Quando acredita, não hesita e apenas multiplica. Histórias, pessoas, alegrias.
O amor não pode ficar parado, ele é movimento.  É se doar, se deixar tocar, precisar do outro. Fazer o bem, como sempre dizem, não importa para quem. É abrir mão, se permitir e apenas sentir. Agradecer, rezar e também se entregar.

Para amar, de verdade, você precisa do próximo.
E pra sentir, de verdade, você precisa de Deus.

(Um muito obrigado aos missionários-superators que transformaram vidas (e a minha vida). Um obrigado também a Mãezinha, que sempre me mostra como a vida, com Ele, é mais bonita. Um obrigado aos que me mostraram, através de gestos, palavras e sentimentos o que é amar de verdade.
“É tão bom seus sentir o Seu (e os seus) amor(es) tocar em mim…”)

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Esse não é um texto sobre política.

Esse não é um texto sobre política.

Eu queria já deixar bem claro aqui, logo no início, que eu não sou nenhuma super conhecedora de política, infelizmente. Gosto de ler notícias sobre, pesquisar sobre, mas não gosto muito de discutir o assunto, principalmente nas redes sociais. Ou seja, eu não  acredito ter habilidades suficientes para escrever politicamente sobre quem está certo, quem está errado e qual a melhor alternativa para o Brasil nesta crise política e econômica que estamos vivendo. Dessa forma, é melhor focar em outro tópico e não falarmos apenas sobre política, certo?

Vamos falar sobre gentileza. Sobre julgamentos e críticas. E sobre o que nos define como seres humanos.

Por alguma razão, não importa qual seja ela, você tem uma visão sobre o que você acredita ser melhor caminho para o país, o que talvez inclua ou não o impeachment da atual presidente Dilma (queria deixar bem claro aqui que eu prefiro escrever o termo assim, mas que isso não afeta ou demonstra a minha posição política, ok?). Então, você tem uma opinião, uma ideia que gostaria de defender, o que é bom. De alguma forma, temos que lutar pelas coisas que acreditamos, certo?

Só que infelizmente (ou felizmente) eu não acho que isso faz de você uma pessoa melhor. Talvez eu esteja errada, frequentemente eu estou errada, mas é que ultimamente eu me deparo com textões e mais textões e links e palavras de ironia, que me fazem pensar: OK, se você estiver certo, realmente certo, de que adianta estar certo, ser tão inteligente e sábio assim, mas ainda desrespeitar quem estava errado? Por favor, me falem, de que adianta essa raiva e essa tristeza e essa decepção, de todos os lados, se ainda assim ainda estamos jogando mais raiva, mais tristeza e mais decepção uns nos outros? De que adianta acreditar e lutar com a justificativa de que “assim é melhor, é o jeito que as coisas deveriam ser”, pensando em nós mesmos e nos “outros”, se nos esquecemos que o outro também é aquele que nós desrespeitamos, criticamos e xingamos? Aquele que nós taxamos de coxinha ou de petralha e o resumimos nisso, somente nisso, sem esquecer de que antes dele ser essa denominação, ele também é um ser humano?

O que eu quero dizer é: Ser contra ou a favor do impeachment não te faz uma pessoa melhor ou pior. O que você faz a partir disso, como você lida com essa opinião, com a opinião dos outros e como você reage as opiniões contrárias é que te define. Sim, como você vive a sua vida, seu dia a dia, principalmente offline, é que faz você ser quem você é. Uma pessoa melhor ou pior. Uma pessoa que realmente faz a diferença ou uma pessoa que só fala.

Porque falar é muito fácil, eu também estou falando por aqui. Só que ofender os outros é ainda mais fácil, não? Culpar a Dilma, o Cunha, o Temer, os deputados, ou sei lá mais quem. Eles estão em cargos de poder, eles deveriam fazer a diferença, eu sei disso. É a obrigação deles, mas também é a nossa. Talvez a gente não consiga reverter essa crise sozinhos, talvez não tenhamos vozes suficientes para fazer algo grande e bonito. Só que usar palavras de ódio, para qualquer um deles, também não te faz uma pessoa admirável por pior (ou melhor) que eles sejam. Isso também não muda o país.

Compartilhar, publicar, repostar alguma coisa ruim sobre os outros realmente não te torna uma pessoa melhor. Talvez seja um passo pra mudança, eu sei, para a conscientização própria e do outro. É importante estar em pauta, trazer a tona esse assunto. Só que vejo muito dedo apontado e nada mais que isso. Apontando o dedo para os políticos, mas também para os amigos e familiares. Assim como eu acredito que ninguém é inocente nessa história, nós também não somos. As proporções talvez sejam menores, bem menores, mas ainda assim somos culpados. Culpados por julgar o outro. Culpado por desrespeitar o outro, não importa quem seja esse outro. Culpados por nos achar melhores por qualquer coisinha que seja. Culpados simplesmente por nos acharmos capazes de sermos juízes  de toda essa confusão.

Eu escrevi tudo isso apenas para dizer: Hoje se preocupe apenas em dormir com a sua consciência tranquila, sem precisar dizer que a consciência dos outros está pesada. Acorde amanhã e faça o seu melhor. Seja a melhor versão de você mesmo. Discuta sobre política, dê a sua opinião, mas não esqueça que o outro, por diferentes razões, também tem uma opinião. Que essa pessoa que você discorda e xinga, por pior que seja, ela ainda é um ser humano e tem o direito de ter diferentes opiniões. Não aponte o dedo antes de olhar pra você mesmo. Não pegue carona nessa onda, seja de direita ou esquerda, sem nem antes saber para onde estão indo. E cuidado para não defender ideias com todas as suas forças sem analisar que aquilo talvez também esteja errado. O outro lado pode estar errado, ele é mais fácil de perceber, mas o seu também.

Como eu disse, talvez eu esteja errada, eu sei disso, mas talvez você também.
(Já parou pra pensar nisso?!)

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