Planos, caminhos e.. Deus!

Constantemente tento fazer meu próprio caminho, livre, independente e sozinha. Fácil seria, penso eu, mas inevitavelmente me vejo estagnada e sem direção. Perdida, não sei para onde ir. Isso acontece até perceber que Deus (sempre) tem planos melhores para mim.

Dessa vez eu não queria ir, compromissos já estavam planejados e a vida aqui (por incrível que pareça) chamava mais atenção. Só que fui porque senti o meu chamado. Fui porque, escrevendo certo por linhas tortas, precisava agradecer pelo milhões de coisas boas que (muito) me acontecia. A vida era generosa demais para ficar em casa. Fui, eu sempre vou, porque sei que esse percurso é mais bonito, mesmo frequentemente preferindo outros. Fui porque queria a vida mais leve e Deus pertinho de mim.

10462756_433633726779148_1063030531955173035_nEu fui, eu disse ‘sim’, mas não sozinha. Cada um vinha de um lado do mundo, por diferentes razões, mas com o mesmo objetivo. Tinha Brasília, São Paulo, Campinas, Valinhos, Campo Limpo Paulita e Jundiaí, sem esquecer dos amigos internacionais da Colômbia, Venezuela e México. Juntos, eramos em 16 missionários. Sem eles, eu seria metade. E o caminho não teria sido nada.

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Nossa missão, juntos, era missionar. Uma parte (grande) da cidade de Foz do Iguaçu precisava sentir esse infinito amor que tanto nos ronda. Precisava da nossa palavra, dos nossos ouvidos. Precisavam que entregassemos nossos corações. Precisava de Deus e do nosso ‘sim’.

Foram 8 dias missionando em três comunidade de Foz do Iguaçu. Foram 8 dias misturando lágrimas e risadas, silêncio e músicas, orações e alegrias. Foram 8 dias que eu tive certeza que estava no lugar certo, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa. 8 dias que me lembraram (mais uma vez) que eu podia ser eu mesma. Que eu não precisava ter medo, vergonha, insegurança, porque eu simplesmente confiava em Deus. Que fomos e podemos ser instrumentos, levando nada menos, nada mais que o amor. Amor incondicional, amor real. Amor que transborda e não pode ficar guardado só pra gente. Amor que fica, mesmo quando a gente vai…

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Como tudo na vida acaba, hoje em casa, de volta, o silêncio machuca e já sinto falta, saudade. Já sinto a distância, a rotina e a vida que continua. Ela tem que seguir, não poderia ser diferente, mas esse sentimento forte por tudo que aconteceu, por tudo que eu senti, fica. Ficam também as boas lembranças, os amigos. Fica meu sincero obrigada. Ficam as memórias, e é claro, o amor. E fica, mais uma vez, a certeza que esses planos e meu caminho, fica (bem) melhor assim, se guiados pelo cara lá de cima.

“A gente passa a entender melhor a vida quando encontra o verdadeiro amor…”

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Ser mais do que País-do-Futebol.

Época de Copa do Mundo sempre foi tempo de tirar a bandeira do armário, separar as camisas e extrair do coração uma paixão pelo país até então congelada. Se eu me lembro bem, as maiores críticas às Copas sempre rondaram nesse assunto: É nesses únicos dias que temos orgulho de sermos brasileiros.

Mas ai eu pergunto: E ai, nessa Copa sendo realizada no próprio Brasil, será que estamos realmente orgulhosos no nosso país?

Acordei feliz no dia de hoje, imaginando que seria um dia normal – porque até ontem era. Não sei explicar essa magia entre futebol-Brasil-é-hoje que impregnou e todo mundo decidiu vestir verde e amarelo, mudar a foto do perfil e escrever ‘Vai Brasil’. Não posso julgar – na verdade nem teria como – é um sentimento bom torcer e acreditar no seu país, acho eu. E lá vem outra pergunta: Como uma coisa tão boa, tão divertida, pode ter vindo de uma fonte tão ruim?

Eu sei, a coisa já ta feita. O dinheiro já foi roubado, a FIFA não deve (e talvez nunca deverá) explicações para niguém, desajolações, inflação só subindo e outros derivados. Por essas razões, e por ser contra a Copa do Mundo, decidi que não iria ver os jogos. É um pensamento bonito, imaginei, mas inocente. Quem iria ficar em casa, sem amigos, sem uma cervejinha, sem mudanças e diversão seria eu. Então me rendo e aqui vou eu. Sem camiseta, sem bandeira, sem apito.

Eu não teria como torcer contra o meu país, mesmo querendo. Eu quero que ele ganhe, ser hexacampeão seria uma honra, mas se isso significar exatamente a Política do Pão e Circo, então, para mim, ganhar significa perder e dessa forma eu não quero. O que eu quero, na verdade, seja ganhando ou perdendo, é que um jogo, sendo ele apenas um jogo, não influencie no nosso sonho de país melhor. Que o futebol continue sendo o futebol, porque ele é bom desse jeito, mas o nosso país, conhecido como o país do futebol, se torne mais que isso.

Eu, sinceramente, estou orgulhosa de ser brasileira. Não do governo do meu país, nem pela Copa, mas pelo fato de os brasileiros, depois de bastante tempo, decidirem lutar pelo que acreditam. São greves, manifestações e diversas revoluções por ai. É um processo, que talvez sem a Copa do Mundo, não estariamos revolucionando, então até ai a Copa do Mundo tem um peso. Talvez seja um começo meio errado, meio gigante-acordou-adormecido, mas não deixa de ser um começo. Tudo precisa de um começo e mesmo desejando que fosse de outro jeito, que tornemos essa Copa em uma coisa boa. Então.. É, vai ter Copa sim!

‘if this is love then love is easy’

Um momento de impacto. 4 dias e uma explosão que sintoniza alma, coração e espírito. Veias saltadas, olhos brilhantes, pêlos arrepiados e um sorriso que inevitavelmente vai dali até aqui – e que não deseja ir embora tão cedo. Um momento, um impacto e uma capela, que muda vidas, destinos, sorrisos.

Ás vezes tudo o que a gente precisa é justamente isso, uma colisão. Sempre que isso acontecia, eu logo pensava ‘ah, essas coisas só acontecem comigo para eu escrever sobre’. Bobagem minha! Hoje eu posso afirmar: As coisas, na verdade, só acontecem para quem se permite. Para quem se deixa sentir. E mesmo que dure pouco e logo logo acabe, os sentimentos consequentes permanecem, mesmo quando a realidade já é outra.

É, o momento acabou, mas eu senti (inegavelmente e intensamente) e ainda sinto. Agora, escrevendo sobre, desejo que de alguma forma você sinta também. Que o ar e o chão sejam escassos, mas os sentimentos nunca.

Se você me conhece, inevitavelmente conhece também o Sonhar Acordado. É a melhor a parte de mim e meu assunto favorito. Uma das vertentes da ONG é o projeto SuperAção, que como diz o nome, faz uma grande ação entre os voluntários, trabalhando, formando e integrando os tão famosos valores humanos.  A filial de Campinas tinha um grande sonho de realizar pela primeira vez o Superação para a construção de uma capela. Nesse feriado, em um simples momento de impacto, eles finalmente iriam realizar o sonho. Desde que fiquei sabendo do evento, confirmei presença sem nem ter sido convidada. Como já havia participado uma vez e eram poucas vagas disponíveis, eu infelizmente iria ficar de fora para que outras pessoas tivessem essa oportunidade. Eu entendi e aceitei, é claro, mesmo que uma grande parte de mim queria (e sabia) que eu precisava ir. Por sorte, destino ou pela simples incessante vontade de sentir, sobrou lugar e eu fui sem nem olhar para trás.

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É, eu chamo de  momento de impacto porque chacoalhou meu mundo interno, mexeu com a estrutura e mesmo assim me sinto mais forte. A vida é mais bonita agora, é mais simples. Se felicidade tem endereço, então ela fica em uma pequena capela de madeira lá em Arujá, que nós mesmos construímos. Se tem nome, se chama Capela de Nossa Senhora do Equilíbrio. Se tem felicidade, então tem 50 jovens que só querem fazer o bem. Se existe receita para a felicidade, então os ingredientes são amor, fé, caridade e superação.

Uma capela foi construída e, na minha opinião, ela é a mais bonita que existe. Com pregos tortos e madeiras não perfeitas, ela foi feita com base e na base do amor. Ela fica lá e nós voltamos para a nossa realidade, com um cansaço ainda nos ombros, alguns machucados no caminho, mas com o sentimento de missão cumprida. Ela fica lá, mas nós trazemos nossa capela interna, imperfeita, que mal começou a ser construída e precisa ser forte o suficiente para sobreviver (sempre) a momentos de não-impacto. Essa é a mais difícil de fazer e não há um Seu Dimas que faça por você. Ele só ajuda, cuida e auxilia, mas depende de você. De mim, de nós.

Que nós nunca tenhamos medo de sentir. E nem vergonha de confessar o que sentimos. O amor de Deus, as lágrimas escorrendo e a certeza de que finalmente estamos no caminho certo. Sentimos e conhecemos pessoas maravilhosas, histórias inspiradoras, exemplos vivos e uma felicidade verdadeira.

Que nós continuemos construindo a nossa própria capela, dia-a-dia, prego por prego, passo por passo. Que os momentos de impacto não sejam tão raros e que mesmo na explosão mais forte, nós nunca percamos a fé e a essência. E o equilíbrio. Que nos nunca nos esqueçamos de sonhar. Viver e acreditar. E é claro, de se superar. 

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 (Um salve especial para o Remo (ele implorou por isso) e para todos os sonhadores que fizeram esse feriado o melhor possível)

M o d a

Não me lembro direito porque o thebusyqueen começou, mas um dos grandes objetivos era falar sobre moda. Na época era um dos meus maiores hobbys e talvez uma das minhas grandes paixões, mas aos poucos fui percebendo que simplesmente não sabia o que falar sobre o assunto.

Acontece que o blog se tornou um desabafo, uma junção de palavras perdidas que para mim fazia sentido, além de pequenas homenagens para pessoas que eu gosto. Fugi do objetivo principal, igual me vejo constantemente fugindo do mundo fashion. O problema é que ele sempre me encontra, de alguma forma ou outra.

Durante os dois primeiros anos de faculmente me via repentidamente respondendo perguntas de conhecidos como ‘Você não faz faculdade de moda? Eu tinha certeza que você fazia’. Confesso que uma parte de mim queria dizer que sim, eu fazia parte do mundo da moda. Porém eu fugia, negava e encontrava outras paixões, mas como dizem por ai ‘não se pode fugir do faz parte de nós’.

Decidi voltar as origens, elas sempre dizem mais do que nós imaginos. E mesmo afastada do mundo fashion, a moda sempre me mandou sinais e nunca me deixou de lado, mesmo quando eu a deixava. Talvez esse é só mais um desabafo que, se eu conseguir, a moda fará parte do meu blog, assim como ela faz da minha vida.

Não é sobre marcas, roupas, desfiles e novidades, mas sim sobre a forma que eu e você decidimos nos mostrar para o mundo.

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(antiga foto do thebusyqueen)

 

A Páscoa e suas histórias..

Esses dias durante uma conversa na faculdade, perguntaram para uma professora minha ‘mas por quê Jornalismo?’ e com um sorriso sincero ela respondeu ‘porque eu gosto de ouvir histórias’.

Esse assunto vai e volta aqui no blog. Falo pouco, mas quando falo eu não consigo deixar de fora ‘histórias’ no meio dos textos. Me reconheci naquela frase e ainda, involuntariamente, repasso a cena na minha cabeça. Sempre espero que todos, afinal, sejamos ouvidores e contadores de histórias. Por causa disso eu não poderia deixar essa daqui de fora..

Durante esses últimos dias, na Páscoa, eu e um grupo de aproximadamente 50 jovens católicos nos reunimos em uma pequena região da cidade de Sumaré. O objetivo é simples: relembrar as pessoas da importância desses dias e comemorar a Páscoa como ela deveria ser comemorada. Batemos de porta em porta em uma comunidade carente e contamos que um cara bem maneiro, mais uma vez, morreu por nós e por causa disso era ‘feriado’.

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Mesmo com a casa simples, os problemas na cabeça e passando dificuldades, elas abriram seus portões e nos convidaram para entrar. E quiseram ouvir o que eu tinhamos para contar. Nós só queriamos dizer que a Páscoa tinha um significado maior do que as pessoas normalmente comemoram e elas não só nos ouviam, mas realmente nos escutavam. Só que além disso, elas também contavam das suas vidas, suas batalhas e suas melhores memórias. A comunidade escolhida era simples, mas as suas histórias não.

Provavelmente a maior parte daquelas pessoas nunca irão sair no jornal. Talvez os outros nunca descubram todos os momentos que elas passaram, as diculdades e a fé inabalável, não importa a circunstância. Possivelmente passariam despercebida, por mim, por nós, assim como muitas vezes passamos também. O mundo é grande, mas é muito fácil nos esquecer e viver apenas no nosso próprio mundo. As pessoas, por debaixo das camadas, tem histórias e batalhas que você só descobre quando deixa seu mundo e passa a observar o do lado. As pessoas vivem coisas que nós nem imaginamos. Nós vivemos coisas que as pessoas nem imaginam.

No geral, eu fui lá para falar, mas acabei escutando, ouvindo e guardando o momento. Hoje compartilho essa história porque espero que durante um mísero segundo sintam que existem vidas além do que apenas queremos enxergar. Existem significados por trás das palavras, das pessoas, dos seus sentimentos. Existe até uma (bela) razão para esses dias ser feriado. Existem histórias que nenhum livro e nem mesmo esse singelo texto é capaz de contar.

Eu só queria dizer que o  mundo de fora fica bem mais bonito se visto de perto.

Seu texto.

Você me disse que queria um texto sobre você sem nem saber que eu já tinha escrito faz tempo.

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Você foi o conto que mais teve pontos de interrogações, palavras vazias e capítulos não concluídos. Por gostar das coisas bem pontuadas, eu fazia questão de colocar todos os pontos finais, sem nem lembrar que dois seguidos já dava sinal de continuação, reticências.. E eu continuava, e mendigava, fazia das palavras nossa história, até perceber que eu escrevia sozinha (e falava sobre nada).

É assim que eu gosto, sem intervenções e opiniões alheias.  Não aceito que leiam o texto antes de estar pronto. Você prefere assim também, já que nunca foi das palavras.  Mudei o assunto, esquecendo de fechar o nosso livro. Era a mesma história repetida, sem começo, meio e fim. Nós nunca tivemos, não seria nosso livro que teria. E a história continuava lá, mas não saia da primeira página.

Te coloquei no melhor papel, mas você nunca seguiu as falas. Escolhia sempre outro conto e voltava para o meu como se nunca tivesse partido. E eu aceitava e gostava, porque  os apaixonados  pelas palavras fazem de tudo por uma boa história. Eu queria ser escritora, você queria minhas palavras, e essa história continuava.

Nosso livro nunca foi lançado porque nenhuma editora gostou do nosso estilo. Foi difícil classificar o tipo, se era romance, terror ou drama. Eu decidi ficção porque nunca realmente saiu da minha imaginação (e do papel..). Estamos fora de moda, somos só uma história sem graça e sem final.

E esse é o texto que te prometi.